A cadeia em construção
Luzia-Homem, Domingos Olímpio
Na construção da cadeia havia trabalho para todos. Os mais fracos, debilitados pela idade ou pelo sofrimento, carregavam areia e água; aqueles que não suportavam mais a fadiga de andar amoleciam cipós para amarradio de andaimes; outros menos escarvados amassavam cal; os moços ainda robustos, homens de rija têmpera, superiores às inclemências, sóbrios e valentes, reluziam de suor britando pedra, guindando material aos pedreiros…
Capítulo I, conferido na primeira edição (1903). Pouco antes, o narrador conta que os retirantes eram pagos com farinha, arroz, charque, feijão e bacalhau.
Então
Na seca de 1877 a 1879, a comissão de socorros trocou a esmola por trabalho em obras públicas. A primeira pedra da cadeia de Sobral foi lançada em outubro de 1877. Luzia, que trabalha na obra, ganhou o apelido de Luzia-Homem pela força.
Hoje
Sobral é a maior cidade do norte do Ceará, e o centro histórico é tombado pelo Iphan. A seca de 1877 é lembrada como uma das maiores tragédias do Brasil: centenas de milhares de pessoas morreram.
Para conversar em sala
Os retirantes trabalhavam na obra em troca de comida. O que muda quando a ajuda vem como trabalho, e não como esmola? E quem decide isso?