A casa de Marília
Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga
Toma de Minas a estrada, Na igreja nova que fica Ao direito lado, e segue Sempre firme a Vila Rica. Entra nessa grande terra, Passa uma formosa ponte, Passa a segunda, a terceira Tem um palácio defronte.
Parte II, lira que começa “Meu sonoro passarinho” (XXXVI na edição de 1862; em outras edições, XXXVII). Da prisão, o poeta ensina o caminho a um passarinho, que deve levar o recado até a janela de Marília. Para o editor de 1862, o passarinho é uma carta disfarçada.
Então
Gonzaga era ouvidor em Vila Rica e ia se casar com Maria Doroteia, a Marília. Em 1789, foi preso por envolvimento na Inconfidência Mineira e levado para o Rio. O caminho do poema é o da época: barco até o Porto da Estrela, no fundo da Baía de Guanabara, e depois a subida da serra pela estrada de Minas.
Hoje
Vila Rica passou a se chamar Ouro Preto em 1823 e, em 1980, foi a primeira cidade brasileira declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. No bairro de Antônio Dias, a tradição aponta a casa de Marília perto da ponte e do chafariz que levam o nome dela.
Para conversar em sala
O poema é um mapa: ensina o caminho do Rio até a casa de Marília. Que caminho você ensinaria a um passarinho para chegar à sua casa?